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Por: Athenais

Crime ocorreu em Salvador, em 2007. Mesmo já tendo sido condenado, em 2014, suspeito estava foragido desde março de 2018, quando teve novo mandado de prisão expedido. Ele foi detido na segunda-feira (13).

“Agora estou com paz no meu coração. Daqui para frente vou seguir a minha vida com a sensação de dever cumprido, de uma mãe que lutou para ver justiça pela morte da filha”. O alívio de Maria das Graças Bittencourt chegou quase 12 anos após a morte da filha, Milena.

A jovem foi assassinada a facadas aos 26 anos pelo ex-namorado, que também tinha 26, em 2007. Jardel da Pureza Souza foi preso na segunda-feira (13), em Salvador. Na época do crime, em 2007, ele foi flagrado com o corpo da vítima dentro de um carro.

Nesta terça (14), o G1 conversou com a mãe de Milena, que falou sobre a estrada percorrida para ver o suspeito de matar a filha preso.

“Sempre estive acompanhando todo o processo, eu e minha família em Camaçari [região metropolitana da capital]. Eu fui uma mãe que lutei muito, não deixei o crime cair no esquecimento. Todas as datas que marcaram a morte de minha filha eu estava lá. Até em Brasília eu fui buscar justiça, para não deixar a morte de minha passar assim”, disse Maria das Graças.

Ela conta que Jardel, hoje com 37 anos, vai responder em regime fechado por 14 anos e meio de prisão. Para ela, se a família não tivesse corrido atrás da condenação, ele ainda estaria livre.

“Se eu não tivesse lutado, nem a júri ele iria. Quando saiu o decreto de prisão, ele não se apresentou. Esse tempo todo que ele passou foragido, eu fiquei o tempo todo aguardando ele ser encontrado. Eu sempre soube que um dia Deus ia fazer essa justiça por mim”.

Maria das Graças recebeu a notícias por meio do advogado dela, enquanto ela estava em casa. Na segunda-feira (13) ela tinha assuntos para resolver na rua, mas resolveu ficar em casa. Foi durante a manhã, que a informação sobre a prisão chegou.

“Eu recebi essa notícia do meu advogado, com muito alívio no meu coração. Estava na minha casa na hora. Eu ia sair, mas decidi ficar. Quando eu olhei no WhatsApp, vi que ele tinha me mandado uma mensagem urgente. Aí quando eu liguei para ele, ele me informou que o rapaz tinha sido preso e que era para eu aguardar notícias”, contou.

Apesar da dor que enfrentou com a morte da filha e o arrastar do processo por mais de uma década, Maria das Graças disse que sempre confiou que a justiça seria feita.

“Eu torci muito por esse momento. Eu tive depressão, passei por várias dificuldades, tive vários danos. Agora é o tempo de agradecer a Deus. Sempre fui acolhida pelas pessoas e isso me sustentou. Eu perdi uma filha assassinada com 38 facadas, não é fácil passar pelo que eu passei. Eu sei que minha filha não vai voltar pra mim e eu também não triunfo em cima da dor de ninguém, mas senti muito alívio [com a prisão]”.

Com todos os anos que passaram após a morte da filha, o motivo do assassinato ainda é um mistério para Maria das Graças. Na época do crime, a linha de investigação da polícia apontava para o fato de que a vítima tinha sido morta após descobrir um esquema de golpes em seguradoras de automóveis, praticado por Jardel.

A mãe da vítima, no entanto, relata que Milena foi agredida pelo acusado meses antes. Para ela, a morte de Milena pode ter sido motivada por ciúmes.

“Tudo o que sei é que eles discutiram no apartamento, antes dele matar minha filha. Ela terminou com ele no dia 15 de março e foi morta no dia 15 de setembro. Na época ele a agrediu porque dizia que ela tinha traído ele, mas isso nunca aconteceu. Minha filha chegou a ficar três dias internadas na semi-UTI [unidade semi-intensiva] do Hospital São Rafael.

Depois que Milena saiu do hospital, Maria das Graças conta que Jardel seguia perseguindo a jovem. Ele chegou a frequentar a universidade onde ela estudava Psicologia por meio ano.

“Ele ficou indo na faculdade dela durante 6 meses, dizendo que queria conversar. Ela me avisou, pediu conselho. Eu tinha medo dela conversar com ele, porque ele já tinha espancado ela. Ela foi se encontrar com ele e acabou assim”, lembra Maria das Graças.

No momento em que foi preso, na segunda-feira, Jardel foi levado para a sede da Polícia Interestadual (Polinter). De lá, ele será transferido para o sistema prisional. A polícia não informou quando será a transferência.

O homem chegou a ficar preso anteriormente por pouco mais de um ano, mas ganhou liberdade por força de um habeas corpus. Em 2014 ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado, por meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver, mas não foi preso em virtude de uma sequência de recursos interpostos pela defesa.

nova ordem de prisão contra o acusado, que na época do crime era estudante de direito e tinha 26 anos, foi expedida pelo 2º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri e encaminhado à Polinter.

Crime

O crime contra Milena Bittencourt Pontes aconteceu na tarde do dia 15 de setembro de 2007. Jardel confessou o homicídio ao ser preso, mas disse, na época, que a vítima, Milena, havia tentado esfaqueá-lo, durante uma discussão provocada pela desconfiança de que estaria sendo traído, e que ele agiu em legítima defesa.

As investigações apontaram, no entanto, que Milena teria ameaçado denunciar o companheiro por ter simulado o roubo de carro de sua propriedade, na CIA-Aeroporto, para receber o dinheiro do seguro.

Pouco depois, porém, ele mudou de ideia e foi para a casa de uma ex-namorada. Lá, com a ajuda do irmão, Josafá Pureza de Souza, teria passado o corpo de Milena para o porta-malas de outro carro, com o qual iria para o interior do Estado. Ele, no entanto, acabou sendo flagrado pela polícia e foi preso.

Fonte: G1 Bahia

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