A Voz do Sul 09h às 13h30


Por: admin

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O tempo nos mostra cada vez mais que a história é cíclica. Os motivos das inquietações sociais são os mesmos há muitos anos. Celebramos neste dia 21 de Abril, Feriado Nacional, a Inconfidência Mineira, cujo seu principal líder foi Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”.

Dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político, Tiradentes atuou nos domínios portugueses nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro e se tornou mártir em uma luta contra o abuso de poder da Coroa. Essa revolta teve seu estopim com a política de cobrança de impostos de Portugal sobre a produção aurífera e sobre os rendimentos que ganhava cada pessoa que compunha a população de Minas Gerais.

Esse último imposto era conhecido sob o nome de “derrama”. Apesar de terem uma organização bem elaborada, os inconfidentes acabaram por ser delatados por Silvério dos Reis, um devedor de tributos que, com a denúncia, acreditava poder sanar suas dívidas com a coroa.

Todos os inconfidentes foram presos. Tiradentes foi apanhado no Rio de Janeiro. O processo estabelecido contra eles e os subsequentes julgamentos e sentenças só terminaram em 1792, no dia 18 de abril. Os principais líderes receberam a pena do banimento, isto é, foram expulsos do país. Tiradentes, ao contrário, foi enforcado no dia 21 de abril ao som de discursos que louvavam a rainha de Portugal. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça exibida na praça principal da cidade de Ouro Preto.

Durante muito tempo a morte do “herói da inconfidência” foi tida como um ato de bravura dos portugueses contra um rebelde. Só após a Independência do Brasil e a Proclamação da República, a imagem de Tiradentes começou a ser recuperada e louvada como um dos heróis da nação ou como um dos que primeiramente lutaram (até a morte) pela liberdade.

Essa visão republicana de Tiradentes permaneceu (e, de certo modo, ainda permanece) no imaginário popular dos brasileiros. Em 1965, durante a primeira fase do regime militar no Brasil, o marechal Castelo Branco, então presidente da República, contribuiu para o reforço dessa imagem de Tiradentes, sancionando a Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro, que instituía o dia 21 de abril como feriado nacional e Tiradentes como, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira.

Claro que a história, tanto da Inconfidência como do próprio Tiradentes, tem outras nuances e variáveis que não cabe aqui serem colocadas. A intenção é de exemplificar como a cobrança de impostos e o mau uso dos recursos públicos no Brasil acaba sendo, cedo ou tarde, motivo de insatisfações sociais que frequentemente emergem no país.

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