Por: admin

Doenças como artrite, artrose, traumas como fraturas, rupturas de ligamento, entre outros problemas relacionados aos músculos e ossos, as chamadas osteomusculares, são as principais causas de afastamento de trabalho em Salvador e municípios vizinhos segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social.

CORPO HUMANO

Antagonismo muscular. As extremidades dos músculos estriados esqueléticos são geralmente afiladas e terminam em cordões fibrosos altamente resistentes.

Em relação a outros grupos de doenças, as osteoarticulares, como também são conhecidas, correspondem a 38% dos benefícios concedidos pela previdência.

De acordo com Chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador da Gerência Executiva do INSS Salvador, João Eduardo Pereira, desde 2005, o número de concessões de benefícios por doenças osteomusculares relacionadas a traumas subiu de 12% para 23,45%, que unido ao de problemas de inflamações e desgastes das articulações somam 38%.

“Embora estes benefícios sejam os mais recorrentes não permanecem durante muito tempo”, destacou João que também atua como chefe de perícia médica do INSS.

Outro grupo de doenças em alta quando o assunto é solicitação de benefícios em Salvador e nos 35 municípios baianos atendidos pela gerência do INSS é o de enfermidades cardiovasculares, que atualmente corresponde 8% a 9% dos pedidos de renúncia temporária dos empregos.

Na contramão, os afastamento por doenças psiquiátricas caiu de 11% em 2005 para 6% este ano, mas continua sendo a área que promove benefícios de maior duração. “As pessoas que solicitam afastamento por doenças osteomusculares não permanecem por muito tempo fora do trabalho, ao contrário daquelas que apresentam doenças psiquiátricas”, constata João.

Principais causas

Entre as principais causas do aumento de problemas no sistema musculoesquelético estão a falta de atenção com a saúde, o sedentarismo e, muitas vezes, a execução de trabalho repetitivo que acaba acarretando no desgaste rápido das articulações, como explica o ortopedista Marcos Almeida Matos.

“Na verdade são vários fatores que influenciam no surgimento de problemas no sistema músculo esquelético e acabam aumentando o número de pedidos de afastamento do trabalho, mas esta é uma realidade em todo o mundo, não apenas em Salvador”, explicou.

Segundo o especialista, que também é professor da Escola Baiana de Medicina, o difícil diagnóstico destas doenças unido a falta de sinais visíveis a medicina colabora para o inchaço do número de solicitações de afastamento do trabalho.

“São doenças que se baseiam mais em sintomas clínicos do que em sinais. Nem sempre são observadas irregularidades em exames, por exemplo. Se um paciente se queixa de dores fortes na coluna e os exames clínicos não mostram nada, isso não quer dizer que possamos descartar o fato de que o paciente de fato esteja sofrendo de dores fortes”, continua Matos.

Ele salienta que as alterações no sistema esquelético também são comuns de aparecer com a idade, resultado do desgaste natural nos músculos, tendões e articulações do corpo, principalmente na faixa etária produtiva, entre os 35 a 40 anos. Já entre os idosos com mais de 80 anos os problemas ocorrem em 80% dos casos.

Quem trabalha com repetição de movimentos como motoristas, digitadores e funcionários que atuam com linha de produção em fábricas, também estão mais propensos a apresentar problemas no sistema musculoesquelético.

“Esses desgastes são causados pelo chamado overuse, o uso repetitivo e excessivo que proporciona rupturas em tendões e músculos”, continuou, lembrando que doenças osteoarticulares também são uma das principais causas por invalidez permanente no país.

Prevenção

O marceneiro Orlando Dias não pode mais trabalhar por não suportar as dores musculares na hora de carregar as ferramentas para a construção de móveis. Há cerca de cinco anos, descobriu sofrer de artrite e de artrose, doenças osteoarticulares causadas pelo desgaste e inflamação das articulações.

Sem contribuir para a previdência, sente as dificuldades de sobreviver sem a renda do seu trabalho e com os entraves na hora de  encontrar tratamento na rede pública de saúde.

Ele descobriu que os problemas nas articulações foram causadas pela repetição no serviço realizado durante toda a vida na oficina de marcenaria e pela grande quantidade de peso carregado ao longo dos anos.

Segundo o professor da Escola Baiana de Medicina, que também é doutor em Ortopedia e Traumatologia, manter uma alimentação saudável, unido a exercícios físicos orientados e a realização de alongamentos antes e após as atividades repetitivas podem atrasar ou até mesmo evitar o aparecimento destes problemas de saúde.

“Infelizmente boa parte das pessoas não tem o hábito de fazer exercício físico. Unido ao sedentarismo vem a obesidade, que acaba contribuindo para o desgaste de áreas como o joelho e a coluna”, citou o especialista. Ainda segundo ele, o aumento da oferta de centros de reabilitação gratuitos também iria colaborar para aumentar o quadro de pessoas que convivem bem com a doença.

Diz ainda que as empresas também poderiam ajudar se assumissem suas parcelas de responsabilidade sobre a saúde do trabalhador.

“As empresas só olham o trabalhador como máquina, exigem produtividade, mas existem fatores no ambiente de trabalho que se corrigidos melhorariam e muito a saúde dos funcionários”, afirmou, lembrando que cadeiras inadequadas, mouses e a disposição de outras máquinas também influenciam no aparecimento de doenças, assim como a oferta de curtos períodos de ginástica laboral contribuiria para a redução dos problemas.

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Fonte: Tribuna da Bahia

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