Por: Athenais

O gestor avalia que a expansão produtiva da fronteira mineral do estado é de interesse de todos

“A Bahia tem nas mãos uma grande pepita de diamante, que  precisa ser transformada, e permitir aos pobres do semiárido sustentabilidade para viver nos próximos anos. Afinal, todo o investimento tem que proporcionar resultado social na geração de emprego e distribuição de renda”.

A afirmação é do diretor-presidente da Companhia Baiana de Pesquisas Minerais (CBPM), Antônio Carlos Tramm, que concedeu entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia para falar das potencialidades das nossas jazidas de minérios e, por extensão, cobrar da sociedade uma mobilização em torno de uma política pública nacional de preservação e exploração do subsolo brasileiro.

“O governo decide o que a sociedade pressiona. Por isso, cabe à sociedade brasileira se mobilizar, no aspecto político, para reivindicar e levar a cabo as ações pertinentes. Hoje, não existe capital de risco estruturado para atender à política nacional de mineração e sequer fundos dessa natureza na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas, nas bolsas internacionais, eles existem”, afirma o gestor estadual.

Renda

Tramm revela esta preocupação, por ser a Bahia o penúltimo lugar em distribuição de renda entre os 27 estados da Federação. Com pouco mais de quatro meses à frente da CBPM, o dirigente quer repetir o feito realizado na Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), onde promoveu uma ‘revolução de modernidade’, tirando o órgão do estado de letargia em que este se encontrava.

“Estamos dando os primeiros passos aqui com a licitação para que a empresa Pedra Cinza Mineração (PCM) possa explorar zinco, chumbo e fosfato, em Irecê. A PCM deverá pagar R$4 milhões à CBPM, quando obter a primeira portaria de lavra”, esclarece Tramm que faz uma alerta: “Este, é o grande momento da Bahia dar um passo decisivo na exploração das suas jazidas de  minérios. Devemos nos aproveitar do conflito existente entre a Vale e o estado de Minas Gerais, após os desastres das barragens de Mariana e Brumadinho para oferecermos as nossas reservas, em especial, as jazidas de ferro”.

Lançamento

Tratando, especialmente disso, a CBPM promove nesta segunda-feira 10, às 10 horas, no seu auditório no Centro Administrativo da Bahia (CAB), o lançamento da Província Mineral do Vale do Paramirim uma proposta da equipe técnica da Companhia Vale do Paramirim (CVP), pertencente ao geólogo João Carlos Cavalcanti (JC) e sócios.

“Na oportunidade serão apresentados aspectos da potencialidade dos empreendimentos minero-industriais das jazidas ferríferas pesquisadas em semi-detalhe pela empresa, que superam a bilhões de toneladas as quais foram selecionadas a partir de estudos regionais desenvolvidos conjuntamente pela CBPM e CRPM – Serviço Geológico do Brasil” antecipa Antônio Carlos Tramm

O gestor da CBPM reforça que a expansão produtiva da fronteira mineral do estado, é cenário do interesse de todos os cidadãos motivados pelo desenvolvimento sustentado da Bahia, especialmente do semiárido. “Para tanto, a implantação da Ferrovia Oeste Leste (Fiol) e o conexo porto de Aritaguá, em Ilhéus, representam a efetiva possibilidade de concretização deste eixo de desenvolvimento sustentado regional que podem, rapidamente, alcançar a marca de 40 bilhões de toneladas, apenas no que se refere à mineração de ferro”.

Quarentona

Com 40 anos de operação, a CBPM já realizou inúmeros estudos e fez o mapeamento das principais jazidas de minérios do Estado. Níquel em Itagibá; magnésia calcinada em Brumado; cobre em Jaguarari; ouro em Jacobina; e quartzo e feldspato nas cidades de Castro Alves, Santa Terezinha e Santo Antônio de Jesus. Toda essa riqueza mineral coloca a Bahia como um dos estados mais ricos e promissores do Brasil. Dos 417 municípios baianos, 134 possuem um solo propício de onde são extraídos 43 minerais diferentes. O estado também é produtor de outros minérios como cromo, talco, salgema, bentonita, manganês, petróleo e calcário dolomítico.

“Neste segundo semestre do ano vamos divulgar editais dirigidos para aprofundar as pesquisas e tornar viável, em exploração, as nossas jazidas”, sintetiza. Em seguida, lembra que duas atividades são primordiais na exploração de minérios: a ferroviária e a portuária. Cita a Vale como uma empresa que procura abarcar tanto os depósitos de minérios quanto o transporte. “Ela é a grande detentora dos meios de transporte do produto quanto do domínio da mineração no Brasil”.

Sem rodeios, critica a opção rodoviária feita pelos governos anteriores, em detrimento da malha ferroviária. “Hoje, vemos seguidas reclamações contra os portos de Santos e Paranaguá que não conseguem dar vazão à exportação da produção agrícola para o exterior. “O Brasil é um grande celeiro de produtos agrícolas e de minério. Pela opção equivocada que fizemos, anos atrás, hoje, nos deparamos com filas imensas de caminhões, à beira das estradas, atuando como se fossem depósitos agrícolas”.

Expectativa

Toda expectativa da CBPM e dos baianos, no momento, está na entrada, em operação, da Ferrovia Oeste Leste (Fiol) para transportar cargas de minério de ferro até o Porto Sul, em Ilhéus. “No retorno do litoral, os vagões conduziriam insumos essenciais para atender as regiões do interior”, acrescenta. Olhando em direção aos sistemas de energia eólica e solar, que crescem rapidamente no Estado, o diretor-presidente da CBPM exige da sociedade igual empenho para que a mineração baiana.

“Hoje, não temos nenhum plano de fundos de incentivo para a mineração, visando identificar as minas e as jazidas existentes que  já pesquisamos e mapeamos. As pesquisas precisam de complemento pois exigem altos recursos para perfuração e de gente qualificada. Mas, cada jazida que se transforma em uma mina, traz um retorno financeiro ao município e, por extensão, ao Estado e ao Brasil”, anuncia.

Exemplos

Ao lado do geólogo Adalberto Ribeiro, coordenador da Gerência de Desenvolvimento Mineral da CBPM, Antonio Carlos Tramm cita três bons exemplos para historiar a situação. “Descobrimos a jazida de vanádio em Maracás; níquel, em Itagibá-Ipiaú; diamantes em Nordestina e estamos preparando a mina de fosfato, em Irecê. Esta, inclusive, já teve o edital finalizado, e a empresa vencedora foi a Pedra Cinza Mineração (PCM)”.

No município de Belmonte foi descoberta uma jazida de areia silicosa – de alta qualidade – para atender demandas de produção de vidro e placas fotovoltaicas. “Recentemente um laboratório de uma empresa alemã produziu o vidro em spray. Se eles vão precisar desse minério (areia) temos aqui de sobra para ser explorada”, reforça Antonio Carlos Tramm com seu habitual entusiasmo.

A estatal baiana já descobriu, em toda sua existência de quase meio século, jazidas importantes de minérios, “que podem gerar futuramente milhões de dólares e centenas de empregos qualificados”, assegura o diretor-presidente da CBPM que relembra, dentre elas, a descoberta, anos atrás, da mina de urânio, em Lagoa Real, que hoje atende as usinas nucleares brasileiras localizadas no Rio de Janeiro.

“No Vale do Itapicuru temos mapeados três projetos de exploração de ouro e já descobrimos mais duas jazidas deste minério em Teofilândia e Santa Luz. Na parte central do estado em Iramaia e Brumado descobrimos outras, como no Médio São Francisco (Casa Nova e Sento Sé) descobrimos jazidas de níquel e cobalto “Em setembro vamos publicar os editais para as jazidas de ouro com 500 páginas apresentando fatos e evidências  potenciais para os investidores interessados”, sinaliza.

Divisas

Porém, o que deixa Antonio Carlos Tramm triste é ver o Brasil gastando divisas para comprar barita, uma lama utilizada nas maquinas de perfurações de petróleo, “quando temos uma rica jazida inexplorada desse minério”. Outra riqueza explorada, mas de forma bruta, são as pedras ornamentais que são vendidas em blocos para o estado do Espírito Santo. ”Lá, eles transformam as pedras em produtos; vendem ao exterior; ganham milhões de dólares e a gente sequer fica com a fama!”

Assim, também, ocorre no município de Novo Horizonte, onde os garimpeiros descobriram quartzo rutilado e vem negociando diretamente com chineses que vem individualmente levar o minério. “Este material se transforma em pedras de alto valor comercial e os pobres homens que descobrem as pepitas, quando muito recebem entre 1 a 2 % do valor final das pedras lapidadas”, relata resignado.

Falando exclusivamente em recursos, a Bahia conseguiu lucrar R$3,4 bilhões o ano passado com a exploração das suas riquezas minerais, sendo que 80% do valor final foi oriundo do minério de ferro. Agora, a CBPM se debruça, com mais atenção, em uma jazida de grande potencial, que é o grafite,. Trata-se de um mineral que será utilizado, futuramente, com mais relevância em produtos de alta tecnologia. ”Esperamos que esse minério traga mais recursos financeiros para o Estado, a partir da sua exploração comercial”, finaliza Antonio Carlos Tramm.

Fonte: Tribuna da Bahia

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