A Voz do Sul 09h às 13h30


Por: Athenais

Segundo delegado, ele havia injetado silicone no peito e nas nádegas ‘recentemente’. Ex-médico se matou antes de a polícia cumprir mandado de prisão.

Jorge Farah em imagem de 2014 (Foto: GloboNews)

Vizinhos do ex-médico Farah Jorge Farah, que foi encontrado morto nesta sexta-feira (22) em sua casa, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, dizem que, nos últimos meses, ele havia adotado um comportamento “estranho” e roupas de mulher.

Condenado a 14 anos e oito meses de cadeia por matar e esquartejar uma paciente em 2003, ele deveria ser levado de volta à prisão após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinar, na quinta, a imediata execução provisória de sua pena. Ele, porém, cometeu suicídio quando os policiais chegaram para prendê-lo. O corpo de Farah foi enterrado na manhã deste sábado (23) no Cemitério Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, Farah havia colocado silocone nos seios e nas nádegas. “O legista disse que ele se injetou silicone nos seios e na bunda, isso foi recentemente, mas não sei quando”, disse.

Quatro vizinhos ouvidos pelo G1 relatam que Farah usava regatas e sutiãs femininos para sair às ruas e jogava seu lixo em sacolas plásticas em lixeiras de casas próximas.

A professora de inglês Sônia Cristina é a vizinha à direita da casa dele e conversava sempre com o ex-médico. Ela disse que o vizinho usava roupas de mulheres, blusas regatas e sutiã com enchimento. “Ele parecia estar se aplicando silicone”, disse Sônia, que sempre conversava com Farah.

 Sobre a morte do ex-médico, disse: “É muito ruim, um fato muito mal. Sou muito emotiva, vou ter que rezar muito porque fica uma energia ruim”, disse.
 Já o advogado Luiz Gatorre, que mora em um prédio na diagonal da casa, diz que o único contato próximo que teve com Farah foi há dois meses, quando o ex-médico “fez uma gentileza” e lhe ajudou a descer do ônibus. “Eu estava descendo do ônibus e porque tenho diabetes, tenho que me segurar bem. Ele me deu a mão e agradeci”, disse o advogado.

“Eu sempre passava por ele na rua e virava o rosto, fazia de conta que estava procurando algo do outro lado da rua, para não ter que cumprimentá-lo. Ele andava estranho, usava regata de mulher, com seios, roupa de mulher”, diz o vizinho.

Encontro do corpo

Um chaveiro foi chamado para abrir a porta da casa do ex-médico quando a ordem de prisão chegou para o delegado Nico. Ao entrarem, os policiais encontraram Farah deitado na cama, com um corte profundo na perna. Uma equipe médica tentou socorrê-lo, mas ele já havia morrido.

O delegado acredita que Farah usou um bisturi para se matar. Segundo o policial, ele criou um “ritual” para morrer. “Ele colocou uma música sinistra, uma música de terror, coisa estranha, fúnebre. Ele se vestiu com roupas de mulheres, colocou seio, colocou essas coisas, e atentou contra a própria vida. ” O corpo do ex-médico foi levado ao Instituto Médico-Legal central.

Na madrugada desta sexta, Farah foi visto entrando em sua casa com uma sacola com pães em uma das mãos e uma bengala na outra.

Parentes de Farah estiveram na casa dele recolhendo pertences após a morte. Um chaveiro foi chamado para colocar novas fechaduras nos portões e na porta.

 Farah foi condenado em 2014 a uma pena de reclusão em regime fechado pelo assassinato e esquartejamento de Maria do Carmo Alves, que era sua paciente e amante. Apesar disso, uma decisão de 2007 do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que ele recorresse em liberdade.

Em agosto, o relator do caso, ministro Nefi Cordeiro, já havia atendido a um pedido do Ministério Público (MP) de São Paulo e votado pela imediata prisão do ex-médico.

No entanto, houve um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior, que levou a conclusão do julgamento para esta quinta-feira. Sebastião decidiu acompanhar o voto de Nefi Cordeiro. O STJ também negou recurso da defesa de Jorge Farah que pedia anulação do último júri.

O crime

Farah matou e esquartejou a paciente e amente em 23 de janeiro de 2003 na clínica dele, em Santana, na Zona Norte da capital paulista. A vítima tinha 46 anos quando foi atraída para o local e morta pelo então médico, que queria pôr fim à relação conturbada que tinha com a vítima.

De acordo com a denúncia da Promotoria, Farah matou Maria após ela ir a seu consultório com a falsa promessa de que a submeteria a uma lipoaspiração. Em seguida, ele dispensou sua secretária e sedou a vítima.

Segundo o MP, após constatar a morte dela, Farah passou a esquartejar o corpo para dificultar a identificação. Ele colocou as partes do corpo em sacos plástico e escondeu no porta-malas de seu carro. Os órgãos e o pescoço da vítima nunca foram encontrados pela Polícia Civil.

Fonte: G1

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