Musical RB 13h às 16h
18 abril/2016


Por: admin

tchau querida

Muita gente achou que o “tchau” que ilustra o cartaz na imagem acima, fosse para Dilma Rousseff, mas na verdade era um adeus à nossa jovem democracia. Erguido por alguns deputados durante a votação da admissão do processo de impeachment contra a presidenta da República, ocorrida neste domingo (17), a mensagem foi apenas mais uma das muitas cenas constrangedoras na bizarra sessão presidida pelo “ilibado” Eduardo Cunha.

Apesar de triste, o espetáculo circense protagonizado pela maioria dos deputados federais na noite passada, -que rendeu mais audiência à Globo do que o Fantástico- revelou o medonho quadro de parlamentares que temos no nosso Congresso. Não só com relação a opções de voto, mas principalmente pela imaturidade e vazio de personalidade política que demonstraram ao proferi-lo.

Definitivamente, foi-se o tempo em que os eleitores tinham como opção votar, por exemplo, em políticos como Ulisses Guimarães, um constitucionalista, dono de um intelecto que ainda primava por alguns princípios ligados à honra e a ética.

Até a década de 1960, tínhamos no Brasil um certo número de políticos sérios, com quem se conseguia debater ideias em um nível de inteligência aceitável. Cito como exemplo o próprio Tancredo Neves, Leonel Brizola ou Miguel Arraes.

Mesmo os da direita, como alguns deputados que depois foram para a ARENA, ainda eram pessoas que ao menos demonstravam respeitar alguns preceitos ao expor seus argumentos. Muito ao contrário da quase completa boçalidade que o Brasil assistiu na Câmara na noite passada.

Hoje, vemos deputados sendo eleitos por defenderem mais os princípios ligados a Deus, propriedade, família, contra o aborto e a homossexualidade. Ou seja, que não respeitam valores democráticos como a dignidade, a diversidade, a pluralidade religiosa e os direitos humanos, todos esses garantidos pela Constituição.

A cada voto a favor do impedimento, o Brasil mostrava a sua cara refletida na caricatura daqueles que ajudou a eleger. Os agradecimentos e desatinos ditos pela maioria, que viraram piadas e memes na internet, revelam o nível dos representantes eleitos pelo povo, ou melhor, eleitos com uma forte ajuda financeira de segmentos empresariais que fazem doações, principalmente a políticos ligados às bancadas que representam evangélicos, a indústria bélica e o de latifúndio.

O recado foi dado e está claro para quem Temer pretende governar. Se o brasileiro acreditou na farsa de um impeachment conduzido por “um gângster cuja cadeira cheira a enxofre” (palavras de um parlamentar ao proferir o seu voto), pode acreditar em qualquer aberração daqui pra frente.

* O conteúdo dos artigos  assinados não refletem, necessariamente, a opinião do Portal RB.

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