Por: admin

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A notícia do cancelamento da festa de carnaval em Barreiras não chegou a ser uma surpresa assim tão grande. Muita gente nos ‘whatsapps’ da vida já debatia sobre as condições de infraestrutura da cidade há alguns dias e os argumentos eram muitos. Mesmo assim, a Prefeitura parecia não se importar com os clamores e chegou a confirmar o carnaval mesmo com a cidade em baixo de água e lama.

No entanto, uma semana após a confirmação, o prefeito em exercício, Paê Barbosa, chamou a imprensa, fez cara de constrangimento e disse que a festa está cancelada. Os preparativos já estavam em andamento, como a montagem da estrutura, que começou a causar transtornos aos motoristas nos últimos dias, com o bloqueio da rodovia BR-242, onde desfilam os trios elétricos. Gerou transtornos e gerou também despesas, já que mesmo sem a festa os trabalhos terão que ser pagos.

Entre os argumentos para a decisão estão as fortes tempestades que castigaram (ou abençoaram) a cidade no mês de janeiro, que está se confirmando como o mês mais molhado da história, com quase 500 mm de água derramados sobre o solo seco, que ficou quase duzentos dias sem chuva.

O prefeito admitiu que a cidade está um caos. Reconheceu a precariedade da infraestrutura no município, com relação à micro e macro drenagem, a quantidade enorme de buracos em toda a malha asfáltica antiga e inclusive no asfalto novo e decretou o Estado de Emergência, pelo período de 90 dias. Também falou da proliferação do mosquito aedes aegypti, que tem espantado muitos turistas do carnaval nordestino, com medo da dengue e da chikungunya.

O fato é que a situação da cidade está precária há muito tempo. O fracasso desta e de tantas outras administrações ficou estampado no semblante constrangido de Paê e da patota de secretários que acompanhou o discurso demagógico. Ou seja, na prática, cancelar o carnaval e decretar estado de emergência muda o que da noite para o dia? Muito pouco ou quase nada.

Afinal, o que acontece quando uma cidade decreta “Estado de Emergência”? A prefeitura publica isso no Diário Oficial. A partir daí o Governo do Estado verifica a possibilidade de atender às demandas do município ou se precisará de verbas do governo federal, providenciando o que for necessário para sua recuperação. Em caso de desastre, é necessário que o poder público municipal institua de imediato ao menos duas frentes de trabalho: uma que terá atuação junto às comunidades afetadas, prestando atendimento às vítimas, e outra que dará suporte administrativo para atuação da primeira.

Mas tem um detalhe muito importante: ao decretar estado de emergência, o gestor fica autorizado a contratar obras, compras e serviços sem licitação, devido justamente à “urgência” em consertar os estragos, mesmo que esses estragos existam por negligência desse próprio governo que não fez o que deveria ser feito para prevenir esse tipo de situação.

É aí que está o pulo do gato. Se os políticos já deitam e rolam normalmente com o dinheiro público, mesmo quando é necessário cumprir trâmites burocráticos de licitação, imagine sem essa obrigação?

O fato é que se Barreiras tivesse um governo sério, comprometido em melhorar a qualidade de vida das pessoas que nela vivem, muito do que está acontecendo seria minimizado. Se houvesse transparência com o gasto público, se soubéssemos, por exemplo, quanto foi gasto no carnaval passado e qual foi o retorno que a cidade teve, aí teríamos parâmetro para avaliar o quão positiva ou negativa pode ser a festa.

Claro que o carnaval é uma manifestação popular que faz parte de nossa cultura. Certamente quem gosta da folia irá para as ruas com sua fantasia, sem o patrocínio das marcas, do poder público e sem os abadás carérrimos. Talvez seja esta a oportunidade que a população tem de organizar um carnaval de rua puro e simples, alegre e gratuito como deve ser.

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