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Por: admin

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Com a derradeira retirada do “gangster” da presidência da Câmara dos Deputados, a pergunta que não quer calar é: porque o STF demorou tanto para afastar Eduardo Cunha? Em 16 de dezembro de 2016 o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo o afastamento do parlamentar da presidência da Câmara e a suspensão de seu mandato de deputado federal.

Na época, a PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou: ‘[Cunha] vem utilizando o cargo em interesse próprio e ilícito unicamente para evitar que as investigações contra ele continuem e cheguem ao esclarecimento de suas condutas, bem como para reiterar nas práticas delitivas’. Janot disse ainda, na época, que Cunha havia ultrapassado ‘todos os limites aceitáveis’ de um ‘Estado Democrático de Direito’ ao usar o cargo em ‘interesse próprio’ e ‘unicamente para evitar que as investigações contra si tivessem curso e chegassem ao termo do esclarecimento de suas condutas, bem como para reiterar nas práticas delitivas’. (Leia:Janot chama Cunha de delinquente em medida cautelar)

O peemedebista é investigado em três inquéritos sob suspeita de corrupção, sendo que um deles já virou denúncia ao STF, acusado de receber propina de contrato com a Petrobras. Além disso, acusava a PGR, ele usava seu mandato de deputado e o cargo de presidente ‘para constranger e intimidar testemunhas, colaboradores, advogados e agentes públicos’ para dificultar a investigação contra si”.

Após 142 dias do pedido da PGR, o Ministro do STF, Teori Zavaski, resolveu retirar de cena a figura grotesca de Cunha. O estranho é que o Ministro tomou a atitude da noite para o dia, assim que o presidente do Supremo, Ministro Lewandowski, colocou em pauta um outro pedido, esse mais recente, do partido Rede Sustentabilidade, que também solicitava o afastamento de Cunha para tirá-lo da linha sucessória da presidência, caso se confirme o afastamento da presidenta Dilma.

Teori teria ficado furioso por Lewandowski ter atropelado o caso que estava sob sua relatoria, já que a opinião pública passou a fazer pressão na suprema corte exigindo que o julgamento finalmente fosse realizado. Mais tarde, no mesmo dia, o pleno do órgão máximo do Judiciário decidiu, por 11 votos a zero, confirmar o afastamento do nefasto parlamentar.

Porém, só o fizeram depois de cunha ter cumprido a “tarefa” a que foi incumbido: iniciar o processo de impeachment contra a presidenta eleita. Ele foi o artífice indispensável da trama que caminha para a deposição de Dilma Rousseff. Porque Teori esperou tanto tempo? Nesse período de inércia, Cunha deitou e rolou, não só no caso do impeachment, mas principalmente nas manobras sórdidas na Câmara, ilegais e que transformou o parlamento em uma instituição vergonhosa, motivo de chacota inclusive na mídia internacional.

Uma possível explicação para a estranha morosidade pode estar na “ação casada” com Janot, que nessa semana pediu investigação de Lula e Dilma sobre a corrupção na Petrobras com base no depoimento do “ilibado” e “confiável” senador Delcídio do Amaral. Com a proximidade da votação pela admissibilidade do impeachment no Senado, e posterior afastamento de Dilma por 180 dias, o cenário promete ser agitado por novidades de última hora. O silêncio de Moro e da Lava-Jato até o momento é estratégico, e o juiz da “republica de Curitiba” deve dar a martelada final para a tomada de poder do grupo conservador que se forma.

O resultado que se espera é passar às massas uma ideia de que o país é sério e está punindo os corruptos, reduzindo a pressão de movimentos sociais que ameaçam ocupar o Senado no dia da votação e abrir terreno para um possível governo Temer. Se tudo correr dentro do planejado, teremos em breve um governo ilegítimo, que aplicará ao país um projeto político que não teve voto, porque não foi escolhido pela maioria nas urnas, e isso pode gerar um cenário de instabilidade ainda maior.

Lembrando ainda, que o “delinquente”, não foi cassado, não foi preso, continua solto e é perigoso. Portanto, o #ForaCunha continua.

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